30.10.10
Contos de um arquiteto daltônico - 01
Certa noite, lá pelo segundo semestre da faculdade, estava eu fazendo meu trabalho de Desenho e Plástica II sozinho na FAU, de madrugada, com minha caixa de lápis de cor aquarelada, 40 cores, importada, um show. Eu sabia quais eram as cores porque decorei a posição dos lápis na caixa. Os azuis no começo, depois os verdes, amarelos, laranjas e assim por diante.
O trabalho consistia em desenhar vários tipos de vegetação, devidamente coloridos. De repente, esbarro acidentalmente e a caixa vai pro chão. 4h da manhã. O trabalho era pra ser entregue no dia seguinte. Respirei fundo, juntei os lápis do chão e comecei a colorir meu trabalho, sem medo de ser feliz. E tome grama laranja, folha amarela e céu roxo. No dia seguinte, apesar dos apelos dos meus caros colegas, temerosos pelo trauma que a avaliação da professora pudesse causar neste futuro arquiteto, entreguei os desenhos.
Dias depois, qual não foi minha surpresa: nota 9,0! Segundo a professora, eu coloquei a minha "verdade" nos desenhos. Reproduzi as cores conforme eu enxergava. Devia estar uma "beleza" o trabalho, mas o resultado foi o início do fim de um medo que poderia permear todo o meu curso. É claro que não dá pra fazer isso com uma casa, ou com um ambiente, mas a moral da história é: Não importa que cor você enxergue, sempre vai ter algum maluco que concorde contigo!
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Ricardo Meira
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24.10.10
Concurso Latino-Americano de Ideias - Brasília + 50
Aos estudantes de arquitetura seguem as informações sobre um concurso interessantíssimo. Uma ótima oportunidade tanto como exercício de projeto quanto chance de discutir os rumos da nossa cidade para os próximos 50 anos.
O Concurso Latino-Americano de Ideias -Setores Centrais do Plano Piloto de Brasília – Rumo ao Centenário convida estudantes de arquitetura e urbanismo da América Latina a apresentarem propostas de revitalização urbana e paisagística para a Capital Moderna, a partir de reflexões sobre a aplicação e adequação dos princípios socioambientais e do conceito de “cidade verde” em sintonia com o espírito de preservação da Cidade Patrimônio da Humanidade.
Por Setores Centrais do Plano Piloto de Brasília compreende-se, fundamentalmente, o Complexo da Rodoviária - projeto do arquiteto Lucio Costa - em sua integração com os Setores Culturais, Comerciais, de Diversão, Hoteleiros, Bancários e de Autarquias, Sul e Norte, assim como com a Esplanada dos Ministérios.
Esse concurso, em formato virtual, tem o selo da Comissão “UnB 50 anos de Brasília” e é fruto da união colaborativa de universidades, entidades de arquitetura e urbanismo, associações comunitárias, órgãos públicos, setores da iniciativa privada e movimentos sociais da Capital Federal, a partir de seu compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável e com a preservação de Brasília, inscrita em 1987 na Lista da UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, sob nº445 .
A missão primordial dessa iniciativa é contribuir para a busca de inovações urbanas sustentáveis, soluções verdes, que priorizem os espaços peatonais passeáveis, excelência no transporte coletivo público e proposições de mobilidade não-motorizada, como alternativas para os problemas que afligem os usuários dos centros de nossas cidades, marcadas pelo precário quadro de vida.
Nesse sentido, o Decanato de Extensão da Universidade de Brasília (DEX-UnB) conjuntamente com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-UnB) (instituição promotora), em conjunto com o Instituto dos Arquitetos do Brasil – Distrito Federal - IAB-DF (entidade organizadora), anuncia o Concurso Latino-Americano de Ideias - Brasília 50 - Setores Centrais do Plano Piloto de Brasília Rumo ao Centenário.
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Ricardo Meira
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19.10.10
Retirado do blog porrarquiteto
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Ricardo Meira
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Vou escrever um livro
Estou pensando pretensiosamente em escrever um livro. Após ler centenas e assistir a algumas palestras sobre auto-ajuda e conceitos modernos de administração e negócios, descobri que a melhor maneira de ajudar futuros arquitetos e empreendedores é mostrar tudo o que fiz de errado nos últimos anos, até porque concorrer com aqueles livros cheios de exemplos de sucesso é bem mais difícil. Estou indeciso sobre o título. Pensei em "Faça o que eu digo, não faça o que eu fiz" , ou "Como não ganhar dinheiro com arquitetura".
Aventurar-se numa profissão tão concorrida recém-saído da faculdade, sem ter trabalhado tanto em outros escritórios foi a melhor e a pior escola de negócios que tive. Não pude me espelhar em ninguém, aprender com ninguém, me basear em ninguém. O mundo real é implacável. Como autônomo, suas melhores qualidades e seus piores defeitos são notados pela entidade que regerá sua vida daqui pra frente: o cliente. Não há um chefe, um colega de trabalho que te diga que algo vai dar errado. Aprende-se quando a vaca já está no brejo até os chifres.
Um contrato, por exemplo, deve conter todos os pormenores e prever todos os problemas possíveis na relação arquiteto-cliente. Mas aquela nova cláusula só será acrescentada após você ter sentido falta dela no contrato anterior, e assim por diante. Na faculdade, perde-se pontos com os erros, no escritório perde-se dinheiro.
Numa categoria tão desunida, tão heterogênea, é fundamental valer-se de um bom networking, não ter receio de ligar para um colega, pedir opinião sobre como e quanto cobrar ou como fazer uma proposta decente. Com os contatos certos, podemos desenvolver uma rede profissional eficiente, onde trabalhos conjuntos ou indicações de outros colegas são mais comuns do que se pensa.
O irônico é que sempre que estou desgostoso com a profissão, ao tentar escrever algo desanimador não consigo. É bom demais projetar. Talvez nossa grande habilidade resida na principal ferramenta de trabalho que temos: criatividade. Para nos reinventarmos, para abrir duas portas para cada uma que se fecha, para descobrir novos nichos de mercado e novas maneiras de fazer o que sempre foi feito. A academia ensina a projetar, mas é a vida, o cotidiano de um escritório que nos ensina a trabalhar.
A conclusão que tiro é que errar é bom. O erro nos motiva a fazer diferente, nos faz lembrar que sempre há alguém melhor. Que temos que buscar a excelência sempre. Às vezes me sinto um Don Quixote lutando contra o moinho. Às vezes me sinto o homem mais sortudo do mundo. Afinal, ainda há muitos moinhos pra serem vencidos.
Aventurar-se numa profissão tão concorrida recém-saído da faculdade, sem ter trabalhado tanto em outros escritórios foi a melhor e a pior escola de negócios que tive. Não pude me espelhar em ninguém, aprender com ninguém, me basear em ninguém. O mundo real é implacável. Como autônomo, suas melhores qualidades e seus piores defeitos são notados pela entidade que regerá sua vida daqui pra frente: o cliente. Não há um chefe, um colega de trabalho que te diga que algo vai dar errado. Aprende-se quando a vaca já está no brejo até os chifres.
Um contrato, por exemplo, deve conter todos os pormenores e prever todos os problemas possíveis na relação arquiteto-cliente. Mas aquela nova cláusula só será acrescentada após você ter sentido falta dela no contrato anterior, e assim por diante. Na faculdade, perde-se pontos com os erros, no escritório perde-se dinheiro.
Numa categoria tão desunida, tão heterogênea, é fundamental valer-se de um bom networking, não ter receio de ligar para um colega, pedir opinião sobre como e quanto cobrar ou como fazer uma proposta decente. Com os contatos certos, podemos desenvolver uma rede profissional eficiente, onde trabalhos conjuntos ou indicações de outros colegas são mais comuns do que se pensa.
O irônico é que sempre que estou desgostoso com a profissão, ao tentar escrever algo desanimador não consigo. É bom demais projetar. Talvez nossa grande habilidade resida na principal ferramenta de trabalho que temos: criatividade. Para nos reinventarmos, para abrir duas portas para cada uma que se fecha, para descobrir novos nichos de mercado e novas maneiras de fazer o que sempre foi feito. A academia ensina a projetar, mas é a vida, o cotidiano de um escritório que nos ensina a trabalhar.
A conclusão que tiro é que errar é bom. O erro nos motiva a fazer diferente, nos faz lembrar que sempre há alguém melhor. Que temos que buscar a excelência sempre. Às vezes me sinto um Don Quixote lutando contra o moinho. Às vezes me sinto o homem mais sortudo do mundo. Afinal, ainda há muitos moinhos pra serem vencidos.
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Ricardo Meira
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16.10.10
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